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Leitura de livros, leitura de mundo

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.” Bill Gates, fundador da Microsoft

Grande parte do sucesso de uma pessoa se relaciona a dedicação aos estudos. Pesquisas comprovam que quanto mais uma pessoa avança em termos de formação escolar, maiores são suas chances de obter empregos com melhor remuneração ou, então, de empreender com êxito, em se considerando que, ao ter mais acesso a informação, está mais preparado para resolver problemas, uma das competências mais mencionadas pelos especialistas como decisiva para realizações no século XXI.

E o estudo passa, necessariamente, pela capacitação para o exercício de diferentes habilidades, entre as quais o conhecimento de línguas, a fluência em matemática, a compreensão das humanidades, a capacidade de entender e apreciar as artes, o conhecimento e aplicação das novas tecnologias, o domínio de técnicas para o exercício profissional especializado…

Entre todas essas, há, no entanto, uma habilidade essencial a ser mais considerada e para a qual as pessoas precisam estar mais atentas, realizando-a com maior frequência: a leitura. A leitura das palavras, que é ensinada nas escolas, no início do ensino fundamental, é parte importante desse aprendizado e, a isso, deve ser adicionada a capacidade de leitura de mundo, conforme nos ensinou Paulo Freire.

Isso não se ensina somente nos bancos escolares, por meio da educação formal, mas também com o apoio de professores e demais profissionais da área. Se refere a capacidade de não apenas olhar para o mundo em que vivemos, mas observar atentamente, percebendo o contexto em que vivemos, tirando ensinamentos que estão diante de nós mas que a maior parte das pessoas não se prepara para ver, ouvir, sentir…

Pense, por exemplo, em uma ida a um museu, com todo o acervo ali disponível de obras de arte e perceba como alunos, muitas vezes, em excursões escolares a estas localidades, passam rapidamente pelos quadros e esculturas sem se ater aos detalhes, a riqueza daquela obra, as nuances ou estilos ali presentes, apenas a vislumbrar, não a aproveitar a oportunidade para aprender algo mais.

Imagine situações comuns a todos nós, aquelas em que estamos em grupo, com familiares, amigos ou colegas de trabalho e vemos alguém discursando sobre algo e, se estivermos bem atentos, outros sinais evidenciados por essa pessoa, como o suor no seu rosto, a expressão em sua face, o nervosismo em suas mãos, a fala insegura, nos revelam algo além daquilo que as palavras contemplam no momento em questão…

Ao ouvir música, assistir filmes, viajar, conversar com pessoas nas mais diversas situações, estar em contato com a natureza ou, em tantas outras situações de nossas vidas, temos muitas possibilidades de realizar a leitura de mundo, tentando ir além daquilo que está na superficialidade. É preciso, no entanto, preparar os sentidos para que possamos sorver esse algo mais que está ali, diante de nós, mas que deixamos escapar em grande parte das vezes…

A leitura de livros, jornais, revistas, artigos online, revistas em quadrinhos e tantos outros insumos criados pela humanidade a partir da imaginação, pesquisa ou documentação, por meio do trabalho de escritores, estudiosos, jornalistas e outros profissionais dedicados a produção textual regular, de qualidade, bem embasada e com argumento, é também algo que diferencia as pessoas que são apenas medianas daquelas interessantes e que tem maior brilho.

Essa leitura deve ser proposta e trazida pela escola, mas deve contar também com o incentivo da família nos primeiros anos de vida. A contação de histórias, a leitura de livros infantis para as crianças ainda não alfabetizadas, a disponibilização de títulos adequados para os filhos ou alunos, os programas de leitura, o acesso/incentivo a ida as bibliotecas e as aulas dedicadas a leitura, que realmente ensejem e motivem as novas gerações a se iniciar nas letras, não apenas para mecanicamente realizar esse ato, mas para amar a leitura e fazer dela parte de suas vidas, é algo que deve acontecer sempre

A leitura, como o paladar, deve ser trabalhada gradualmente para atingir patamares mais altos, ou seja, sua evolução é gradual, sendo necessário preparar as crianças trazendo para elas textos indicados, selecionados a partir de autores que atingem esses novos leitores com tramas e linguagem que desperte, de fato, em cada um deles, o sabor das histórias retratadas em suas obras. O leitor deve perceber, pela ação de professores e pais, que há diferentes entonações, variações de leitura de acordo com o tipo de livro que se lê e, principalmente, o prazer da descoberta em cada nova linha lida.

A participação nesse universo literário deve ocorrer sempre pela associação de interesses dos leitores. Não adianta forçar leituras que pouco dizem ou significam para esse ou aquele leitor, pois trabalham temas que são distantes de sua realidade e/ou interesse. É preciso começar a ler pelo que desperta suas paixões. Pode ser por meio de histórias em quadrinhos, contos, lendas, fábulas esse início. Vai evoluir para romances ou histórias de suspense. Terá aportes em biografias ou temas da realidade que envolvem as pessoas e as fazem pensar em como podem aprender, crescer e atuar no mundo em que vivem.

O importante é ler sempre. Livros são inspiração, constituem um diálogo franco com autores, de diferentes nacionalidades, contextos, épocas ou pensamentos que, de alguma forma, estão ali presentes, a nos provocar, a nos fazer pensar e conversar em pensamento com seus personagens e histórias, sejam elas reais ou fictícias.

No Brasil, país em que os índices de leitura são mínimos, com dados que indicam a média de 1 livro por habitante sendo lido por ano, ou nem isso, a leitura será, certamente, ainda maior diferencial para aquele(a) que se aventurar pelas páginas e letras com frequência.

Se a leitura de textos, em livros, jornais, revistas ou pela internet, for ainda associada a leitura ampla, de mundo, que lhe permita ver além daquilo que está na superfície, se prepare então para grandes aventuras e realizações… se prepare para o protagonismo de quem vai, verdadeiramente, mudar o mundo!

Obs. Só para constar, nesse momento estou lendo “A regra é não ter regras: A Netflix e a cultura da inovação”, de Reed Hastings e Erin Meyer!

Por João Luís de Almeida Machado